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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Diversidade, emoção e conquista: primeira formatura de Licenciatura Intercultural Indígena da UFSC

Primeira-formatura-Licenciatura-Indígena-Foto-Henrique-Almeida-44
O juramento na colação de grau da primeira turma de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica da UFSC, na noite de quarta-feira, 9 de abril, falava de cultura, liberdade, autonomia, luta pela terra, autodeterminação, alegria e crianças sadias. Os discursos reiteravam a preocupação com o futuro e com manter tradições e costumes para os filhos. Pois eles estavam lá. Mais ainda do que a média habitual das formaturas, a cerimônia estava repleta de crianças, famílias e amigos, muitos dos quais vieram de longe para a ocasião: os formandos – das etnias guarani, kaingang e laklãnõ/xokleng– são provenientes do Mato Grosso do Sul (MS), Espírito Santo (ES), Rio de Janeiro (RJ), Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS).
Do UFSC
Adelino Gonçalves foi o primeiro formando da noite. Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC
Adelino Gonçalves foi o primeiro formando da noite. Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC
Pouco antes do início da cerimônia, o kaingang Armandio Bento, 48 anos, (“21 deles como professor”, faz questão de ressaltar) não aparentava nervosismo. “Estou tranquilo e muito feliz. Agora poderei trabalhar com turmas mais avançadas, e podemos aprimorar as escolas indígenas na minha cidade”, comemorava. A cidade a que ele se refere é Redentora, no Oeste do Rio Grande do Sul (RS), com população de pouco mais de 10 mil pessoas. “Nossas principais atividades lá são o artesanato e a agricultura, e queremos continuar com essas coisas, mas também levar mais saúde e valorizar cada vez mais o estudo”, prevê.
Adelino Gonçalves foi o primeiro formando da noite. Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC
Adelino Gonçalves foi o primeiro formando da noite. Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC
Familiares e amigos que vieram com os formandos já se reuniam nos arredores do Centro de Cultura e Eventos desde o meio da tarde. Os trajes de formandos e convidados mostravam a diversidade também no estilo.
Com 11 pessoas na “torcida”, o xokleng Woie Patté, de José Boiteux, era um dos mais animados, tanto na hora de subir ao palco para tomar o lugar na cerimônia quanto na hora de receber o diploma: entrou, acenando para a família; abriu os braços; inclinou-se para agradecer; quando pareceu que ia sentar-se, caminhou de volta em direção à plateia – e foi aplaudido à altura. “É uma noite de muita alegria, estou emocionado mesmo”, diz. Ele trabalhava como agente de saúde e resolveu aproveitar a oportunidade de fazer uma graduação e iniciar uma carreira acadêmica – agora, os planos incluem mestrado e doutorado.
Woie Patté comemorou com entusiasmo o recebimento do diploma. Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGCUFSC
Woie Patté comemorou com entusiasmo o recebimento do diploma. Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGCUFSC
O discurso dos oradores ressaltava a importância das tradições culturais e da demarcação de território indígena. “Não importa o povo ou etnia a que pertencemos, somos todos irmãos, filhos desta terra”, lembraram. A voz chegou a falhar por causa da emoção quando dois colegas foram lembrados: Natalino e Eduardo, que são parte da turma, mas faleceram antes de terminar o curso. A paraninfa Maria Dorothea Post Darella prestou uma homenagem especial à formanda Maria Cecilia Barbosa, que se tornou bisavó enquanto fazia o curso. O presidente da Funai, Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo, também compareceu à cerimônia.
Foi o cuidado com a família e seu povo que impulsionou o primeiro formando da noite, o guarani Adelino Gonçalves, a completar o curso, após quase haver desistido. Morador de Biguaçu (SC), conta que a rotina de trabalho e estudos ficou forçada demais, e ele quase largou a graduação pela metade. “Mas eu sei que isso vai fazer uma diferença para nós. Tenho que espalhar esse conhecimento, temos que mostrar as coisas que aprendemos e valorizar o que ensinamos. A experiência de convivência foi muito importante; um dos motivos para os não índios não respeitarem nossa cultura como deveriam é porque não a conhecem”, observa.
Maria Cecilia Barbosa, que se tornou bisavó enquanto fazia o curso, recebeu homenagem especial. Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC
Maria Cecilia Barbosa, que se tornou bisavó enquanto fazia o curso, recebeu homenagem especial. Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC
Fábio Bianchini/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC
Claudio Borelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC
Fotos: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC


Leia a matéria completa em: Diversidade, emoção e conquista: primeira formatura de Licenciatura Intercultural Indígena da UFSC - Geledés 
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sábado, 6 de abril de 2013

LEIAM CHAMADA DO GPER PARA PROJETO FORMAÇÃO CONTINUADA 02-DIVERSIDADE


Editorial
Leitoras e Leitores,
o Ensino Religioso está sendo discutido nas academias, nos sistemas de ensino, no legislativo, temos projeto tramitando no Congresso para revisão do artigo 33 da LDB, assim como na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro para tornar mais coerente este componente curricular das escolas fluminenses com a proposta nacional de realizar um ensino sem proselitismo. Já tivemos o lançamento de um livro e até agora localizamos cinco dissertações com pesquisas sobre o Ensino Religioso. Temos exemplos de novos projetos como na Universidade Federal de Sergipe investindo no PIBID junto aos seus alunos de licenciatura em Ciências da Religião, assim como a luta da Associação de Professores do Pará buscando efetivar a presença da disciplina no estado paraense. No projeto formação continuada organizado pelo GPER 15 professores/as já concluíram esta primeira etapa e vamos lançar no dia 15 o segundo curso sobre Diversidade e Ensino Religioso. O que estes fatos revelam –EXISTE UM MOVIMENTO NACIONAL DO ENSINO RELIGIOSObuscando estabelecer uma perspectiva a partir da escola e não de negociações que favoreçam o proselitismo, para tal é fundamental investir na formação de professores e professoras para compreender esta escolarização do ENSINO RELIGIOSO.

Queremos convidá-los/as para o PROJETO FORMAÇÃO CONTINUADA 02 – DIVERSIDADE
Semana 01 – Diversidade e o Ensino Religioso
Semana 02 – Questões étnicas
Semana 03 – Festas e Feriados
Semana 04 – Culturas e Tradições
Semana 05 – Gênero e Cidadania

Aguardamos você para participar deste PROJETO !!!
GPER