domingo, 14 de julho de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
ER não é uma área do conhecimento, mas parte aplicativa de uma grande área.
Neste primeiro final de semana de julho gostaria de apresentar uma discussão que está cada vez mais sendo consolidada – Onde está o ENSINO RELIGIOSO ? Após um longo estudo realizado por especialistas do campo do Estudos da Religião (Teologia e Ciências da Religião) as três principais associações de pesquisa do Brasil (Associação de História das Religiões – ABHR ; Associação de Programas de Pós-Graduação em Teologia e Ciências da Religião – ANPTECRE; Sociedade de Teologia e Ciências da Religião – SOTER) encaminharam para o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPQ) a nova árvore do conhecimento para atualizar esta área. Onde está o Ensino Religioso como área no conhecimento ? Ele está em Ciência da Religião aplicada - Esta especialidade pode abarcar discussões sobre religião e espaço público, política, ética, etc. Sem dúvida, toda a discussão teórica e contextual tradicionalmente vinculada à rubrica “tolerância”, e mais atualmente ao “diálogo inter-religioso”, tem aí seu lugar. Estudos sobre “educação religiosa/ensino religioso” e âmbitos relacionados também aí se incluem. Também em vista da aplicação (p. ex. criação de subsídios para recepção no âmbito social e político) manteve-se o singular “ciência”, pois todas as ciências enquanto aplicadas buscam, em geral, a unidade tendo em vista um consenso prévio quanto a fins. Para consolidar esta postura foi elaborado o Compêndio de Ciência da Religião – o verbete sobre este componente curricular esta exatamente na quinta parte – CR APLICADA. Confirmando que o ER não é uma área do conhecimento, mas parte aplicativa de uma grande área.
Este processo foi realizado no seu espaço próprio não para reduzir o perfil do Ensino Religioso, mas para garantí-lo, pois ele é o encontro de dois aspectos do ensino (EDUCAÇÃO ) religioso (Ciências da Religião).
Caso você queira conhecer e aprofundar apresentamos o Compêndio de Ciência da Religião (paulinas/Paulus, 2013) um marco na história da pesquisa no Brasil que sai no momento em que a nova área de Ciência da Religião e Teologia conquista sua autonomia acadêmica (Capes, Mec). A obra considera a Ciência da Religião partindo de uma reflexão de caráter metateórico, indicando a história do campo, questões epistemológicas de fundo, e relações com disciplinas peculiares (Filosofia da Religião, Teologia) [Parte I]. Em seguida, enfoca as Ciências Sociais da Religião, pretendendo oferecer uma visão ampla das correntes teóricas e dos temas atuais em discussão na área [Parte II].A Psicologia da Religião recebe um tratamento destacado, visando fornecer um guia seguro sobre o quê e o como as ciências da psique estão se desenvolvendo na Academia. O eixo central é psicológico, mas se relaciona de forma interdisciplinar não só com interlocutoras antigas (Filosofia, História), como também com novas parceiras (Ciências Biológicas, Neurociências) [Parte III]. O quarto grupo de verbetes gira na órbita da linguagem e circunscreve a categoria da experiência religiosa, considerando suas relações com a primeira. A Ciência da Religião confronta-se com os usos linguísticos das diversas religiões e da história das religiões e perscruta como as linguagens estruturam as religiões [Parte IV].O tema geral da última seção é relativamente novo e consiste na apresentação de uma Ciência da Religião Aplicada, a saber, explora o que se pode fazer com os resultados dessa ciência para ajudar a desenvolver normas, modelos e procedimentos de uma prática nela baseada. Essa aplicação visa contribuir socialmente em vista da paz, da humanização e da mediação de conflitos culturais-religiosos. Isso implica focar o desenvolvimento de programas que organizem a ação e o exercício da cidadania. Daí a oportunidade representada por este Compêndio, e por esta parte em particular, de pensar a Ciência da Religião a partir dos frutos sociais que dela se esperam [Parte V].Organizado em cinco seções temáticas - Epistemologia da Ciência da Religião, Ciências Sociais da Religião, Ciências Psicológicas da Religião, Ciências das Linguagens Religiosas e Ciência da ReligiãoAaplicada - o presente Compêndio tem como objetivo contribuir para a discussão sobre a posição institucional, as especificidades e as conquistas intelectuais da Ciência da Religião. Organizado por professores do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC-SP, reúne reflexões de dezenas de autores, do Brasil e de outros países, que atuam e pesquisam essa área de conhecimento (site de Paulinas)
GPER
Obs. Você que está no Paraná e Região convidamos a conhecer a proposta do VII Seminário do NUPPER que ocorrerá na PUCPR em outubro (VEJA OS ANEXOS).
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Não. Se eu fizer com que seja preso, será um inimigo ainda maior. Eu o conquistarei com o amor".
Quando Mahatma Gandhi vivia na África do Sul, foi apunhalado e ficou à beira da morte. Naturalmente, a polícia quis prender seu agressor, mas Gandhi recusou, dizendo: " Não. Se eu fizer com que seja preso, será um inimigo ainda maior. Eu o conquistarei com o amor". Quando o atacante soube do perdão de Gandhi, tornou-se seu discípulo.
Despertai. Somos todos Luz.
ESQUEÇA OS ERROS DO PASSADO
Evite remoer todas as coisas erradas que já fez. Isso já não lhe pertence: que seja esquecido. É a atenção que cria o hábito e a memória. Assim que vc coloca a agulha num disco de vinil, ele começa a tocar. A atenção é a agulha que toca o disco das ações passadas. É por isso que vc não deve colocar a atenção nas coisas ruins. Para que continuar a sofrer pelos atos impensados do passado? Elimine essa lembranças ruins da mente e cuide de não repetir os erros.
Deus não concedeu memória ao ser humano para que ele fique recordando coisas negativas. Há pessoas que lembram e relembram todo o sofrimento pela qual já passaram, e também a dor terrível que sentiram quando fizeram uma operação... há vinte anos! Vivem e revivem a consciência daquela situação. Para que repetir a experiência? Recordar experiências dolorosas ou más, de propósito, é usar erroneamente a memória, além de ser um pecado contra a alma. Se nutrir lembranças desagradáveis, vc as carregará para o futuro o que não é bom para vc. Se nutrir profundo ressentimento por alguém, remoer o sentimento todos os dias e, em retaliação, atacar essa pessoa mentalmente, tomará muitas encarnações para apagar a lembrança do ódio. É perigoso tornar-se vítima de uma memória repleta de velhas lembranças. Cultive o esquecimento dos erros passados e dos sentimentos de vingança, incentivando somente as lembranças boas.
Poucas pessoas no mundo tentam, conscientemente, desenvolver o potencial do corpo, da mente e da alma. O resto é vitima das circunstância do passado. Arrastam-se lenta e vagarosamente, empurrados pelos hábitos errôneos do passado, impotentemente deixando-se abater por esta influência. Só conseguem lembrar: "sou uma pessoa nervosa", "sou muito fraco" ou "sou um pecador", e assim por diante.
Depende de cada um continuar preso ou cortar, com a espada da sabedoria, as cordas da servidão.
Deus concedeu a todos a liberdade da agir por escolha própria. Nunca imponha sua vontade a ninguém, mas se persuadir outra pessoa a fazer o que vc, humildemente, considera ser o melhor, exerça sua influência com amor. Quando Mahatma Gandhi vivia na África do Sul, foi apunhalado e ficou à beira da morte. Naturalmente, a polícia quis prender seu agressor, mas Gandhi recusou, dizendo: " Não. Se eu fizer com que seja preso, será um inimigo ainda maior. Eu o conquistarei com o amor". Quando o atacante soube do perdão de Gandhi, tornou-se seu discípulo.
O Romance com Deus - Paramahansa Yogananda
Evite remoer todas as coisas erradas que já fez. Isso já não lhe pertence: que seja esquecido. É a atenção que cria o hábito e a memória. Assim que vc coloca a agulha num disco de vinil, ele começa a tocar. A atenção é a agulha que toca o disco das ações passadas. É por isso que vc não deve colocar a atenção nas coisas ruins. Para que continuar a sofrer pelos atos impensados do passado? Elimine essa lembranças ruins da mente e cuide de não repetir os erros.
Deus não concedeu memória ao ser humano para que ele fique recordando coisas negativas. Há pessoas que lembram e relembram todo o sofrimento pela qual já passaram, e também a dor terrível que sentiram quando fizeram uma operação... há vinte anos! Vivem e revivem a consciência daquela situação. Para que repetir a experiência? Recordar experiências dolorosas ou más, de propósito, é usar erroneamente a memória, além de ser um pecado contra a alma. Se nutrir lembranças desagradáveis, vc as carregará para o futuro o que não é bom para vc. Se nutrir profundo ressentimento por alguém, remoer o sentimento todos os dias e, em retaliação, atacar essa pessoa mentalmente, tomará muitas encarnações para apagar a lembrança do ódio. É perigoso tornar-se vítima de uma memória repleta de velhas lembranças. Cultive o esquecimento dos erros passados e dos sentimentos de vingança, incentivando somente as lembranças boas.
Poucas pessoas no mundo tentam, conscientemente, desenvolver o potencial do corpo, da mente e da alma. O resto é vitima das circunstância do passado. Arrastam-se lenta e vagarosamente, empurrados pelos hábitos errôneos do passado, impotentemente deixando-se abater por esta influência. Só conseguem lembrar: "sou uma pessoa nervosa", "sou muito fraco" ou "sou um pecador", e assim por diante.
Depende de cada um continuar preso ou cortar, com a espada da sabedoria, as cordas da servidão.
Deus concedeu a todos a liberdade da agir por escolha própria. Nunca imponha sua vontade a ninguém, mas se persuadir outra pessoa a fazer o que vc, humildemente, considera ser o melhor, exerça sua influência com amor. Quando Mahatma Gandhi vivia na África do Sul, foi apunhalado e ficou à beira da morte. Naturalmente, a polícia quis prender seu agressor, mas Gandhi recusou, dizendo: " Não. Se eu fizer com que seja preso, será um inimigo ainda maior. Eu o conquistarei com o amor". Quando o atacante soube do perdão de Gandhi, tornou-se seu discípulo.
O Romance com Deus - Paramahansa Yogananda
quinta-feira, 27 de junho de 2013
UNIVERSO ORIONE clip bogaz hansen LEGENDA
Passemos a conhecê-los pelas suas obras e temos uma bem pertinho aqui em Curitiba PEQUENO COTOLENGO.Venham prestigiar os almoços para comunidade e visitar os lares com pessoas com deficiências ,sempre necessitando de voluntários disponíveis!!
quarta-feira, 26 de junho de 2013
"A escola pública não pode ser uma arena de disputas religiosas", diz Luiz Antônio Cunha
Pesquisador explica que a escola é uma instituição pública, de todos, e não pode ser palco de doutrinação religiosa, preconceito e segregação.
Luiz Antônio Cunha. Foto: Arquivo pessoal
A Constituição Federal diz, em seu art.19, que "é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios (...) estabelecer cultos religiosos ou igrejas". E deixa claro, no art. 5º, que "ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política". Os dois aspectos são complementares e ajudam a colocar em debate a existência do Ensino Religioso nas escolas públicas brasileiras.
O tema foi discutido na edição de maio de NOVA ESCOLA, que está nas bancas, e faz parte dos estudos do pesquisador Luiz Antonio Constant Rodrigues da Cunha, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesta entrevista, ele defende os princípios da Educação pública, entendida como espaço de todos, no qual não pode haver qualquer tipo de doutrinação.
O estado brasileiro - e, consequentemente, a escola - é laico segundo a Constituição Federal. No entanto, de acordo com as respostas de diretores aos questionários da Prova Brasil 2011, 49% das escolas do país têm aulas obrigatórias de religião. Por que essa prática continua tão presente?
LUIZ ANTONIO CONSTANT RODRIGUES DA CUNHA Há, no Brasil, uma convergência de dois grandes erros. De um lado, está o desconhecimento da Constituição. De outro, existe uma ostensiva transgressão. Religiosos militantes utilizam o espaço da escola para impor suas crenças aos alunos. Apesar de a Legislação dizer que não pode haver proselitismo, essa imposição existe de forma evidente e os próprios diretores reconhecem que colocam o Ensino Religioso como algo obrigatório aos alunos.
Quais os riscos de as escolas públicas adotarem o Ensino Religioso obrigatório?
CUNHA O risco mais aparente é o desrespeito a o que os estudantes querem e pensam hoje, e o que podem querer e vir a pensar no futuro. Isso é agravado pela pequena idade dos alunos que começam a frequentar aulas de Ensino Religioso. Eles não têm como resistir a o que diz o professor nem fugir do que lhes é imposto. As crianças têm o direito de pensar uma coisa hoje e outra diferente amanhã, e a doutrinação lhes tira essa liberdade.
Um risco maior ainda é tomar o tempo dos alunos, não dando prioridade àquilo que só a escola pode oferecer. O ensino público no Brasil deixa a desejar em muitos aspectos e, como se isso não fosse importante, utiliza-se parte da grade e dos recursos para ministrar o Ensino Religioso. A escola pública deve ensinar disciplinas curriculares - como Matemática ou Ciências - o que é sua função principal. Já para falar sobre religiões, há diversos espaços livres e privilegiados no país, como a própria família e as igrejas. A difusão das diferentes crenças não é limitada ou proibida no Brasil, mas ela não tem de estar dentro da escola pública.
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), o Ensino Religioso pode existir nas escolas, desde que seja uma disciplina de matrícula facultativa e que respeite a diversidade cultural religiosa do país. Como garantir que essas determinações sejam colocadas em prática?
CUNHA Não é possível atender a essas demandas. O que a Legislação determina é impossível de se realizar. Se uma escola pública tentar oferecer Ensino Religioso de acordo com a diversidade dos alunos, tendo em conta a enorme variedade de crenças existentes no Brasil, não haverá professores suficientes. Por outro lado, se tentar ofertar um ensino interconfessional, vai esbarrar em uma impossibilidade prática. Não existe nada de comum a todas as religiões, que possa compor aulas que atendam a todos, ou seja, o interconfessionalismo é uma fraude.
Se a Lei coloca o Ensino Religioso como algo facultativo, é preciso que as escolas que oferecem a disciplina tenham uma opção para os alunos que não queiram participar das aulas. Como organizar, na prática, essa questão?
CUNHA O problema não é só dispensar os alunos e dar a eles uma opção para ocupar o tempo, com atividades esportivas ou artísticas, por exemplo. É preciso pensar se a escola pública está tão boa a ponto de que os estudantes possam usar parte de seu tempo, que já é curto, para falar de religião ou em outras atividades criadas para ocupar o horário. Estamos em condição de dispensar tempo escolar em algo que não é próprio da escola pública? Não. As religiões estão cheias de espaço e recursos fora dos muros escolares para fazer seu trabalho. Retirar esse tempo precioso, uma hora por semana que seja, da escola pública é um crime.
Há quem diga que a religião deve estar na escola porque ajuda a construir valores morais. O que o senhor acha desse argumento?
CUNHA O ensino de valores éticos – como respeito aos outros e solidariedade – é algo fundamental, que deve permear todo o currículo escolar. Esse tema, no entanto, não pode estar atrelado a uma ou outra crença. Quando isso acontece, passa-se a ideia equivocada de que só religiosos têm valores. Isso é absurdo. Pessoas éticas existem entre religiosos e não religiosos. Só uma concepção totalitária da vida imagina que é a religião que vai embasar a Pedagogia e dar sentido ao ensino público e aos valores humanos.
O ex-presidente Lula assinou, em 2008, um acordo entre o Brasil e a Santa Sé que estabelece a obrigatoriedade da oferta de Ensino Religioso pelas escolas públicas brasileiras. Como está esse acordo atualmente?
CUNHA A Procuradoria Geral da União moveu uma Ação de Inconstitucionalidade (AI) contra essa medida, que foi acolhida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O tema agora está no Supremo, aguardando que seja designado um relator para dar andamento ao processo. Essa definição pode demorar e o problema vem sendo empurrado com a barriga pelos sistemas de ensino estaduais e municipais.
Vimos nos questionários da Prova Brasil que os diretores falam abertamente sobre a existência de práticas religiosas no cotidiano escolar. O que explica essa postura?
CUNHA O ponto principal está na concepção de escola pública. O diretor não pode dizer que a escola é dele. Quando isso acontece, o ambiente se torna a projeção do que ele é. Se for da Assembleia de Deus, por exemplo, vai se achar no direito de trazer um pastor para a escola. Se for católico, vai trazer o padre e colocar crucifixos nas salas. Isso não pode ocorrer. A escola é uma instituição pública, de todos, com ou sem religião. E justamente por ser pública, não pode nem impor uma religião, nem constranger a crença de alguém. A escola não é uma arena para disputas religiosas e segregação, mas a instituição capaz de integrar os alunos. Essa concepção do que é publico no Brasil é o que falta à escola, à política e aos meios de comunicação.
E com relação ao professor? O que cabe a ele dentro deste cenário em que religião e escola se misturam?
CUNHA Os professores têm uma autonomia inerente à própria função. Isso lhes dá a garantia moral para se contrapor às imposições de determinados diretores e coordenadores pedagógicos. Essa base moral, no entanto, precisa vir acompanhada de uma base política. Caso contrário, os docentes podem ser perseguidos. Os sindicatos de professores deveriam ajudar a defender os docentes desse tipo de coação e desrespeito à escola pública. O professor está ali para ensinar História, Geografia etc. não para ser agente religioso. A base moral é individual, mas a base política tem de ser garantida por instâncias coletivas.
O tema foi discutido na edição de maio de NOVA ESCOLA, que está nas bancas, e faz parte dos estudos do pesquisador Luiz Antonio Constant Rodrigues da Cunha, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesta entrevista, ele defende os princípios da Educação pública, entendida como espaço de todos, no qual não pode haver qualquer tipo de doutrinação.
O estado brasileiro - e, consequentemente, a escola - é laico segundo a Constituição Federal. No entanto, de acordo com as respostas de diretores aos questionários da Prova Brasil 2011, 49% das escolas do país têm aulas obrigatórias de religião. Por que essa prática continua tão presente?
LUIZ ANTONIO CONSTANT RODRIGUES DA CUNHA Há, no Brasil, uma convergência de dois grandes erros. De um lado, está o desconhecimento da Constituição. De outro, existe uma ostensiva transgressão. Religiosos militantes utilizam o espaço da escola para impor suas crenças aos alunos. Apesar de a Legislação dizer que não pode haver proselitismo, essa imposição existe de forma evidente e os próprios diretores reconhecem que colocam o Ensino Religioso como algo obrigatório aos alunos.
Quais os riscos de as escolas públicas adotarem o Ensino Religioso obrigatório?
CUNHA O risco mais aparente é o desrespeito a o que os estudantes querem e pensam hoje, e o que podem querer e vir a pensar no futuro. Isso é agravado pela pequena idade dos alunos que começam a frequentar aulas de Ensino Religioso. Eles não têm como resistir a o que diz o professor nem fugir do que lhes é imposto. As crianças têm o direito de pensar uma coisa hoje e outra diferente amanhã, e a doutrinação lhes tira essa liberdade.
Um risco maior ainda é tomar o tempo dos alunos, não dando prioridade àquilo que só a escola pode oferecer. O ensino público no Brasil deixa a desejar em muitos aspectos e, como se isso não fosse importante, utiliza-se parte da grade e dos recursos para ministrar o Ensino Religioso. A escola pública deve ensinar disciplinas curriculares - como Matemática ou Ciências - o que é sua função principal. Já para falar sobre religiões, há diversos espaços livres e privilegiados no país, como a própria família e as igrejas. A difusão das diferentes crenças não é limitada ou proibida no Brasil, mas ela não tem de estar dentro da escola pública.
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), o Ensino Religioso pode existir nas escolas, desde que seja uma disciplina de matrícula facultativa e que respeite a diversidade cultural religiosa do país. Como garantir que essas determinações sejam colocadas em prática?
CUNHA Não é possível atender a essas demandas. O que a Legislação determina é impossível de se realizar. Se uma escola pública tentar oferecer Ensino Religioso de acordo com a diversidade dos alunos, tendo em conta a enorme variedade de crenças existentes no Brasil, não haverá professores suficientes. Por outro lado, se tentar ofertar um ensino interconfessional, vai esbarrar em uma impossibilidade prática. Não existe nada de comum a todas as religiões, que possa compor aulas que atendam a todos, ou seja, o interconfessionalismo é uma fraude.
Se a Lei coloca o Ensino Religioso como algo facultativo, é preciso que as escolas que oferecem a disciplina tenham uma opção para os alunos que não queiram participar das aulas. Como organizar, na prática, essa questão?
CUNHA O problema não é só dispensar os alunos e dar a eles uma opção para ocupar o tempo, com atividades esportivas ou artísticas, por exemplo. É preciso pensar se a escola pública está tão boa a ponto de que os estudantes possam usar parte de seu tempo, que já é curto, para falar de religião ou em outras atividades criadas para ocupar o horário. Estamos em condição de dispensar tempo escolar em algo que não é próprio da escola pública? Não. As religiões estão cheias de espaço e recursos fora dos muros escolares para fazer seu trabalho. Retirar esse tempo precioso, uma hora por semana que seja, da escola pública é um crime.
Há quem diga que a religião deve estar na escola porque ajuda a construir valores morais. O que o senhor acha desse argumento?
CUNHA O ensino de valores éticos – como respeito aos outros e solidariedade – é algo fundamental, que deve permear todo o currículo escolar. Esse tema, no entanto, não pode estar atrelado a uma ou outra crença. Quando isso acontece, passa-se a ideia equivocada de que só religiosos têm valores. Isso é absurdo. Pessoas éticas existem entre religiosos e não religiosos. Só uma concepção totalitária da vida imagina que é a religião que vai embasar a Pedagogia e dar sentido ao ensino público e aos valores humanos.
O ex-presidente Lula assinou, em 2008, um acordo entre o Brasil e a Santa Sé que estabelece a obrigatoriedade da oferta de Ensino Religioso pelas escolas públicas brasileiras. Como está esse acordo atualmente?
CUNHA A Procuradoria Geral da União moveu uma Ação de Inconstitucionalidade (AI) contra essa medida, que foi acolhida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O tema agora está no Supremo, aguardando que seja designado um relator para dar andamento ao processo. Essa definição pode demorar e o problema vem sendo empurrado com a barriga pelos sistemas de ensino estaduais e municipais.
Vimos nos questionários da Prova Brasil que os diretores falam abertamente sobre a existência de práticas religiosas no cotidiano escolar. O que explica essa postura?
CUNHA O ponto principal está na concepção de escola pública. O diretor não pode dizer que a escola é dele. Quando isso acontece, o ambiente se torna a projeção do que ele é. Se for da Assembleia de Deus, por exemplo, vai se achar no direito de trazer um pastor para a escola. Se for católico, vai trazer o padre e colocar crucifixos nas salas. Isso não pode ocorrer. A escola é uma instituição pública, de todos, com ou sem religião. E justamente por ser pública, não pode nem impor uma religião, nem constranger a crença de alguém. A escola não é uma arena para disputas religiosas e segregação, mas a instituição capaz de integrar os alunos. Essa concepção do que é publico no Brasil é o que falta à escola, à política e aos meios de comunicação.
E com relação ao professor? O que cabe a ele dentro deste cenário em que religião e escola se misturam?
CUNHA Os professores têm uma autonomia inerente à própria função. Isso lhes dá a garantia moral para se contrapor às imposições de determinados diretores e coordenadores pedagógicos. Essa base moral, no entanto, precisa vir acompanhada de uma base política. Caso contrário, os docentes podem ser perseguidos. Os sindicatos de professores deveriam ajudar a defender os docentes desse tipo de coação e desrespeito à escola pública. O professor está ali para ensinar História, Geografia etc. não para ser agente religioso. A base moral é individual, mas a base política tem de ser garantida por instâncias coletivas.
sábado, 15 de junho de 2013
Você que está em Minas Gerais poderá participar da Semana do Programa de Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora
GPER
O final do semestre aproxima, as páginas do Ensino Religioso demonstram que entre conquistas e desafios a sua história está sendo construída. Entre os desafios o modelo confessional proselitista apoiado por diversos eclesiásticos que não percebem a diversidade do país e a importância de afirmarmos o Estado laico como princípio para a construção da democracia.
Simultaneamente núcleos religiosos que apoiam a regressão na política de direitos humanos, que desejam que a sociedade brasileira comporte como seus espaços religiosos. Porém, persiste a discussão do diálogo nas escolas sobre a leitura do religioso na sociedade a partir das Ciências da Religião, visando compreender a construção da cultura brasileira.
Este processo de desafios e conquistas fazem parte da história do ensino religiosa como um componente curricular na escola brasileira. Um exemplo deste processo são os eventos nacionais e regionais para discutir a questão religiosa na sociedade.
Esta semana ocorreu em Vitória na Faculdade Unida o Congresso de Ciências da Religião. Você que está em Minas Gerais poderá participar da Semana do Programa de Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora – maiores detalhes no
http://A história continua !!!
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