domingo, 10 de janeiro de 2016

“No Brasil, temos a ideia de que os negros são inerentemente inferiores”

Para estudioso, um dos maiores problemas do racismo é o modo “recreativo” como é encarado

Adilson José Moreira, professor de Direito na FGV. / BOSCO MARTÍN
Adilson José Moreira, professor de Direito na Fundação Getúlio Vargas apresentou, no ano passado, sua tese no doutorado de Direito de Harvard Law School sobre a questão racial no Brasil. Sua conclusão acadêmica vai direto ao ponto. “O racismo é um sistema de dominação social e o seu objetivo sempre foi o mesmo: garantir a hegemonia do grupo racial dominante”, disse, durante entrevista concedida ao EL PAÍS. “No Brasil, nós desenvolvemos essa ideia de um racismo recreativo”, diz ele, ao falar sobre os casos de preconceito racial no futebol, por exemplo. Sua tese expõe um país dominado pela hegemonia branca, cheio de preconceitos e muito longe de uma real igualdade racial, embora haja esforços para mudar o quadro. “A percepção é de que o país tem progredido, em função de várias políticas que promoveram a distribuição de renda, como o Bolsa Família, mas essas políticas ainda não conseguiram promover a inclusão social da mulher negra”, explica. Para Moreira, a justiça racial está diretamente ligada à justiça de gênero. “Sem isso nós nunca vamos conseguir chegar à justiça racial”.
Pergunta. Você é a favor da implementação de cotas raciais no Brasil, que privilegiam o acesso de negros a universidades ou empregos públicos. Por quê?
Resposta. Eu sou favorável às ações afirmativas e, especificamente, às cotas raciais, por vários motivos. Nós vivemos em uma sociedade racialmente estratificada. A população dos afrodescendentes sofre todo tipo de discriminação e de exclusão social. As ações afirmativas nas universidades públicas não são a única forma de se promover a integração e a justiça racial, mas elas são um meio, reconhecido por tribunais brasileiros. Antes de 2002, menos de 2% dos alunos das universidades públicas eram pessoas negras. Após as cotas esse percentual aumentou significativamente, embora ainda seja menor do que 15%.
P. As cotas não são uma medida paliativa?
R. O racismo não é apenas um comportamento individual. É um sistema de dominação social e seu objetivo sempre foi o mesmo: garantir a hegemonia do grupo racial dominante. Por isso precisamos de políticas públicas. Precisamos de um processo de formação de professores que os torne capazes de tratar da questão racial dentro da sala de aula. Precisamos promover a educação cultural do povo brasileiro, no que diz respeito à história do Brasil, da África e da população negra no Brasil.
P. Essa mudança já começou a acontecer ou ainda estamos muito longe disso?
A luta contra o racismo é também contra o sexismo porque a mulher negra ganha até 75% a menos do que o homem branco
R. O que as pessoas que são contrárias às ações afirmativas e às cotas dizem? Que o que precisamos é criar escola pública de qualidade. Isso não é o suficiente, porque a estratificação racial não é produto apenas de uma questão de classe. As políticas sociais precisam tratar especificamente do problema da mulher negra, por exemplo, que é o grupo mais discriminado, vilipendiado que existe na nossa sociedade. A percepção é de que o país tem progredido, em função de várias políticas que promoveram a distribuição de renda, como o Bolsa Família, mas essas políticas não conseguiram promover a inclusão social da mulher negra. A luta contra o racismo é também contra o sexismo porque a mulher negra ganha até 75% a menos do que o homem branco.
P. Qual é o papel do ministro Joaquim Barbosa nesse contexto de democracia racial?
R. Quando você vê um número cada vez maior de pessoas negras ocupando papeis de destaque, desperta nos jovens negros a ideia de que eles também terão a capacidade de chegar a algum lugar. Um outro elemento importante é o papel do Supremo na discussão sobre a questão racial no Brasil. Nós tivemos durante cerca de 50, 60 anos, um discurso oficial baseado na ideia de que o Brasil é um país que conseguiu transcender a questão racial. A decisão do STF [de apoio] sobre as ações afirmativas teve uma importância muito grande porque é a primeira vez que a corte máxima rejeita essa imagem falsificada sobre a realidade do país.
P. E o que falta acontecer no Brasil?
R. Faltam muitas coisas (risos). Precisamos ter debate público sobre a desigualdade geral no Brasil. E isso já começou desde a década de 90, quando os movimentos sociais começaram a pressionar o Governo e a ir aos tribunais, solicitando proteção jurídica. A implementação de leis de inclusão e os programas de ações afirmativas são produto dessa articulação dos movimentos sociais. Hoje, após dez anos dessas políticas, já temos um número significativo de homens e mulheres negras inseridos no mercado de trabalho. Da mesma forma que é importante que nós tenhamos mulheres participando da tomada de decisões que afetam as mulheres, precisamos de negros tomando decisões que afetam a população negra.
P. E por que há tantos casos de racismo no futebol?
R. No Brasil nós temos a ideia de que as pessoas negras são inerentemente inferiores, então elas podem ter o acesso ao mesmo espaço que as pessoas brancas mas sempre em uma condição subordinada. Desenvolvemos essa ideia de um racismo recreativo, então as pessoas não veem o racismo ou o sexismo ou a homofobia como uma ofensa, como um atentado à dignidade das pessoas, elas acham que é realmente algo engraçado, que eu posso chegar para qualquer pessoa e chamá-la de macaco, de bicha ou de veado e que isso não representa nenhum animus de violência. A ideia é de que você pode ir ao campo de futebol, jogar uma banana ou chamar alguém de preto, macaco, veado e que está tudo bem.
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/21/politica/1403380855_900715.html

As Brumas de Avalon - Legendado

sábado, 2 de janeiro de 2016

Entrega de lacres de aluminio, da escola Municipal Prefeito Linneu do Amaral

Mais um mérito das criancas do Ensino Fundamental tarde 

,alunos do pré ao quinto ano da Escola Linneu Ferreira e 

com parceria da Campanha das turmas do EJA noite Linneu 

,que juntaram os lacres de alumínio.

.Um pouco atrasada a entrega ,mas fazer o bem sempre e 

tempo 
.
E VC pode fazer a diferença_ não é mesmo Daiane Kock

que esteve presente nesta entrega e fomos bem 

recepcionadas pela Ana, recepcionista da instituição 

Pequeno Cotolengo!!

O Pequeno Cotolengo é referência no Paraná em acolhimento, saúde, educação e qualidade de vida para pessoas com deficiências múltiplas, abandonadas pelas famílias ou em situação de risco. Atuamos há 50 anos e hoje acolhemos mais de 200 pessoas, além de oferecer mais de 43 mil atendimentos anuais oferecidos em 13 especialidades da saúde. 
O acesso a Acolhimento, conduzido pelo Serviço Social, tem o objetivo de garantir a integridade e a qualidade de vida dos moradores da instituição. As ações na área da saúde são desenvolvidas através de nosso Centro de Reabilitação e através da Unidade Odontológica. Por fim, as atividades de educação são realizadas em nossa Escola Pequeno Cotolengo – Educação Infantil, Ensino Fundamental na Modalidade Educação Especial.  
Para a oferta destes acessos a instituição conta com 15 mil m² de área útil e de 120 mil m² de área total.
 

Lacres de Alumínio

Uma maneira rápida e fácil de envolver seus amigos e ajudar o Pequeno Cotolengo.
Mobilize a coleta de lacres de alumínio e colabore com a aquisição de cadeiras de rodas e com a aquisição de itens de custeio, garantindo a qualidade de vida para nossos moradores.
1. Colete os lacres em festas, almoços e outras oportunidades;
2. Guarde os lacres em garrafas PET 2L;
3. Faça a doação das garrafas ao Pequeno Cotolengo;
4. O Pequeno Cotolengo vende os lacres como alumínio;
5. Os recursos são revertidos para cadeiras de rodas e itens de custeio.
* Em média, a cada 170 garrafas, é possível adquirir uma cadeira de rodas simples. O valor varia conforme cotação do alumínio e peso das garrafas.
http://www.pequenocotolengo.org.br/campanhas/lacres-de-aluminio/

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Natal para Ateus: a festividade além da fé

Não precisa sair corrend

o. O Natal pode ser uma boa oportunidade para exercitar valores seculares importantes.


Desde que me descobri como alguém que não possui fé em divindades, anos atrás, acabei criando uma certa aversão por festividades religiosas. Para mim, foi ficando claro que não passava de uma cultura imposta à força, algo que não tenho identificação alguma, mas a construção social me impõe.

Em 2013 me deparei com um livro bem curioso chamado Religião para Ateus, escrito por Alain de Botton.


Todo o desenvolvimento do livro se dá em torno de observar a construção de diversas religiões e conseguir enxergar os benefícios promovidos por aquela cultura.

Obviamente, não estou aqui para tentar balancear os pontos negativos e positivos, apenas aceitar que pontos positivos existem e podem ser transferidos para a vida secular, sem que, com isso, haja a necessidade de transferir a fé e crença no sobrenatural.

Tomei liberdade de expandir a ideia para do livro e tentar desvendar os valores escondidos no natal, aqueles que vão além da crença e da simbologia geral.


Ateus tendem a reagir com força contra tudo o que está ligado a religião, mas a ideia aqui é simples: mesmo nada do que a religião acredita seja verdade, o que podemos aprender com ela?
Comunidade

Com o fim do ano chegando, temos oportuna disponibilidade de dois recursos normalmente limitados: dinheiro e tempo.

Essa combinação nos permite criar eventos que, ao longo do ano regular, não são possíveis. Podemos organizar pequenos encontros, festas e jantares, por exemplo.

Não precisa ser a tradicional festa na noite do natal cristão, já que, em geral, cristãos procuram passar este dia com seus familiares.

Use essa oportunidade para unir os amigos próximos, aquelas pessoas que confia, aqueles amigos que se tornaram sua família por opção. Tente servir para todos juntos na mesma mesa, para que a noção de proximidade seja constante durante toda a noite, evitando que grupos acabem se isolando em mesas separadas.

Mais ainda, tente provocar uma organização onde seus amigos que não se conhecem sentem próximos um do outro, estimulando que essa nova conexão seja feita.
Gratidão

É fácil olhar para trás e pensar numa pessoa que se fez importante ao longo do ano. Um amigo que se tornou mais próximo, uma pessoa nova que entrou na sua vida, alguém que por mais simples que seja, fez sua vida um pouco melhor naquele período. Não precisa necessariamente ser seu melhor amigo, um namorado ou familiar. Apenas aquela pessoa que se fez presente ao longo do ano.

Presentear pessoas no natal é uma prática comum, pode ser associada aos três reis magos ou simplesmente ao estimulo do comércio por um aumento sazonal no faturamento, mas isso não nos importa agora.

Não precisa presentear todo mundo, apenas decida quem foi essa pessoa no seu ano e compre algo que agregue algum significado à conexão de vocês.

Pode ser um livro que mudou sua vida, que acha que será importante para aquela pessoa, algo que saiba que ela precisa, mas não pode ter agora. Pode inclusive, não ser um presente, mas uma experiência bacana. Um convite para um show, um jantar num restaurante bacana, seja criativo.
Reconciliação

Eu sei que você tem aquele amigo com quem não fala mais tão frequentemente. Pode ter sido por briga, mas também por qualquer motivo mais bobo. Aquela pessoa que você às vezes lembra, sente uma leve saudade, mas que deixou de fazer parte da sua vida.

Use o clima de festividades para se reaproximar desses amigos, pedir desculpas, demonstrar que sente falta, que faz diferença para você que essa pessoa não esteja mais tão próxima.

Procure desarmar-se do ego, da vontade de ter razão, de estar certo. Tente focar no que importa, na importância do perdão e da aproximação. Convide a pessoa para conversar, para sua festa com os amigos, mostre que não existe rancor ou mágoa, só a vontade de novamente cruzar os caminhos.
Renovação

Ainda longe da simbologia cristã, o natal sinaliza que o ano está acabando. Ou seja, é o fim de mais um ciclo. A virada de ano já é famosa pelas resoluções, aquelas duras mudanças que planejamos todos os anos e dificilmente conseguimos cumprir.

Não precisa ser assim, tente pensar nessa renovação de forma mais prática e simples. Não precisa prometer que agora a dieta vai engatar, ou que vai parar de sustentar a academia sem frequentar. Tente pensar em coisas simples, mas que reflitam em você você essa mudança para um novo ciclo.

Pode ser um corte de cabelo diferente, mudar o estilo das roupas que usa, assumindo um pouco mais de maturidade - ou um pouco menos também, dependendo de como você se enxerga e o que acha necessário para o seu momento.

Várias são as possibilidades para fortalecer essa aura de renovação e mudança e muitas delas são extremamente simples. Importante é fixar um ponto claro onde você deixa o passado para trás e se identifica agora como uma nova pessoa, disposta a novas atitudes e visões.

Não cabe aqui o debate sobre os problemas de cada religião, apenas a observação do que pode ser benéfico, mesmo se descartarmos o cerne original da data.

Não precisamos - por sermos ateus - nos isolar em casa e reagir contra o período de festividades, mas utilizar a data para promover uma melhora significativa em como nos relacionamos com as pessoas a nossa volta.publicado em 23 de Dezembro de 2015, 00:10

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Alberto Brandão

Também escreve sobre assuntos variados em seu blog, conta sua experiência empreendedora no QG Secreto e mantém um portal sobre Parkour. Ex-analista de sistemas, hoje tenta encontrar as respostas do universo no bacharelado de física. Pode ser encontrado no Facebook ou por email.
http://papodehomem.com.br/natal-para-ateus-a-festividade-alem-da-fe/