quarta-feira, 29 de abril de 2015

IAB é contra o ensino religioso confessional nas escolas públicas

O Instituto dos Advogados Brasileiros afirmou ser contra o ensino religioso confessional nas escolas públicas, previsto no acordo firmado entre a Presidência da República e a Santa Sé, em 2010. A entidade decidiu participar de audiência pública sobre o tema no Supremo Tribunal Federal, marcada para o dia 15 de junho.
O governo promulgou, por meio do Decreto 7.107/2010, acordo relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil --firmado na Cidade do Vaticano em 2008-- que prevê o ensino religioso nos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.
Em sessão ordinária no início do mês, o IAB decidiu apoiar a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4439 ajuizada pela Procuradoria-Geral da República, que propõe ao STF interpretar o decreto à luz da Constituição Federal e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Em seu artigo 33, a LDB estabeleceu que "o ensino religioso, de matrícula facultativa é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil e vedadas quaisquer formas de proselitismo".
A Procuradoria-Geral da República defende a tese de que a única forma de compatibilizar o caráter laico do Estado com o ensino religioso nas escolas públicas consiste na adoção de modelo não confessional. Para a PGR, a disciplina deve ter se basear na exposição das doutrinas, práticas, história e dimensões sociais das diferentes religiões, incluindo posições não religiosas, sem qualquer tomada de partido por parte dos educadores.
A disciplina deve ser ministrada por professores regulares da rede pública de ensino, e não por "pessoas vinculadas às igrejas ou confissões religiosas", na argumentação apresentada na ADI.
Discussão
A audiência pública foi convocada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, relator do processo. Segundo ele, a complexidade do tema "recomenda a convocação de audiência pública para que sejam ouvidos representantes do sistema público de ensino, de grupos religiosos e não religiosos e outras entidades da sociedade civil, bem como especialistas com reconhecida autoridade no tema".
Segundo Barroso, "as questões extrapolam os limites do estritamente jurídico, demandando conhecimento interdisciplinar a respeito de aspectos políticos, religiosos, filosóficos, pedagógicos e administrativos relacionados ao ensino religioso no país".
Entre os pontos a serem discutido estãp as relações entre o princípio da laicidade do Estado e o ensino religioso nas escolas públicas, as posições a respeito dos modelos confessional e não confessional e as diversas confissões religiosas e posições não religiosas. O ministro defende, ainda, a discussão sobre as diferentes experiências dos sistemas estaduais de educação com o ensino religioso. Com informações da Assessoria de Imprensa do IAB.
http://www.conjur.com.br/2015-abr-25/iab-ensino-religioso-confessional-escolas-publicas

domingo, 26 de abril de 2015

Entrevista com Lia Kohrs - dançarina de Odissi

Entrevista com Lia Kohrs - dançarina de Odissi



        Após alguns meses de visita ao Brasil, Lia retornou à India para mais um ano inteiro de estudos.  Antes de partir, compartilhou conosco sua sabedoria e doçura.


Onde você nasceu e se criou? 
Nasci no Japão e lá me criei, na cidade de Tokyo.


O que a atraiu para a cultura Indiana?
Não consegui até hoje encontrar uma “razão” propriamente dita, acredito até que na minha vida passada nasci indiana, tão forte é o vínculo que sinto com a cultura.

Quando começou a aprender Odissi? E por que escolheu este estilo dentre os Clássicos de Dança Indiana?
Em 2009.  A tradicional arte marcial indiana, “Kalarippayat” me inspirou para este estilo de dança.
Antes treinei Bharata Natyam por seis anos; no Japão por dois anos, seguidos de dois na Alemanha e dois na India.
Estive em Rishkesh no ano de 1998 por seis meses praticando Yoga todos os dias.  Ao retornar para o Japão encontrei um professor de Yoga somente satisfatório, o que me fez com que  procurasse um contato maior com a cultura Indiana.
Foi em 1999 que comecei a treinar a dança no estilo Bharata Natyam que é  significativo em Tokyo.
Quando na India, estudei também “Kalamkari”, pintura tradicional de Andhra Pradesh assim como o instrumento clássico “Pakhawaj” em Chennai.


Por favor fale-nos  sobre o estilo Odissi; sua complexidade, história e principais características.
È uma arte com base no tratado de ‘Natya Shastra’, os conceitos de Odissi não diferem do Bharata Natyam mas culturalmente pode-se dizer que sim,  são diferentes.  Se compararmos as duas regiões  que emergiram estes estilos por exemplo, vemos que em Karnataka e Tamil Nadu, berços do Bharata Natyam as pessoas parecem ser mais rajásicas, expressam mais facilmente seus sentimentos e desconfortos, enquanto que em Orissa, berço do Odissi é facil perceber reações  opostas. A dança reflete isso. Pessoalmente, por ter vindo de uma cultura reservada como é a japonesa, encontrei o equivalente no Odissi, optando por deixar de treinar Bharata Natyam.
No Universo do Bharata Natyam tivemos Rukmini Devi, fundadora de Kalakshetra, responsável desde a década de trinta e quarenta por preservar a dança que havia se perdido e trazê-la  à modernidade sem perder seus fundamentos tradicionais. Infelizmente no Odissi não temos alguém deste porte. Este estilo pode se perder ao longo dos séculos. È preciso que os dançarinos comprometidos façam de tudo para preservá-lo na sua forma mais pura.
Quanto a suas  características, seu treinamento  baseia-se nas posições ‘Chowk’ e ‘Tribhanga’; 10 exercícios  em cada posição. Os aspectos ‘Tandava’ e ‘Lasya’ – masculino e feminino, respectivamente – devem ser combinados, em harmonia. Cada uma das posturas em Odissi é como uma estátua de Deus num templo, o reflexo do Divino.


Quem são seus gurus? E qual o estilo de Odissi que aprende?
Judhistir Nayak, Lingaraj Suwain e Bichitrananda Swain.
Treino o estilo Kelucharan Mahapatra. 

Você está frequentemente viajando à India para aprimorar seu aprendizado.  Ao seu ver, quais seriam as diferenças  entre a dança clássica apresentada  na India em comparação com a dança que você viu fora da India?
Sinto que dentro da India os mestres sentem-se mais pressionados e experienciam  pouca flexibilidade até para tentar um estilo diferente do qual escolheram aprimorar-se.
Já fora da India, lembrando especialmente meu contato com mestres na Alemanha, eles sentem-se mais relaxados, de um jeito divertido.
A dança, sem dúvida acaba refletindo isso.


O que mais a atrai na forma tradicional de aprendizado ? 
Os mestres são muito pacientes para demonstrar os movimentos e o fazem muitas vezes. E como estes movimentos são únicos e  devem ser executados daquela forma em particular o aluno se sente confortável e seguro para aprender.
A tradição deve ser respeitada até na forma de nos prepararmos para a aula. Tive uma mestre de Bharata Natyam  que dizia que a forma como o aluno chega para a aula, vestido em seu sári é a forma como tem a dança dentro de si mesmo.  Se o veste bem, com respeito, assim é sua prática.


Conte-nos alguns dos momentos mais memoráveis que vivenciou na India.
Relacionado a dança diria que foi no aprendizado de ’abhinaya’, o momento teatral da dança, sua expressão devocional. O dançarino  por expressar uma Arte visual,  naturalmente se preocupa como sua imagem chega ao olho do espectador, ele quer aparecer bem.  Minha Guru enfatizava que o dançarino deve ouvir seu coração, representar  sem se importar em absoluto com sua própria aparência. Este aprendizado foi muito difícil, mas essencial.
Em relação a vida na India, nunca carrego relógio. Nem agora, estou com um! Há sempre alguém dentro de mim avisando-me do tempo. Houve um episódio em Tirunammavalai que um motorista do riquixá, preocupado com minha perda do ônibus o perseguiu até que este parasse para que pudesse embarcar!



Quais são seus planos para o futuro? Planeja começar uma escola de dança em seu país?
Tenho como missão disseminar a tradição Indiana.

Quais são os pré-requisitos para alguém que queira adentrar-se na tradição da Dança Indiana?
Aprender seus ritmos, como também  tocar os instrumentos clássicos  e  cantar.
Acima de tudo: dedicação, incondicionalmente.

Onde se leva a dança clássica? Para qual platéia?
Ao meu ver, a platéia não importa. O dançarino faz para Deus e Ele estará onde você estiver.



Tradução e Revisão: Ana Cláudia Silvestre
http://dancaindianabrasil.blogspot.com.br/2011/11/entrevista-com-lia-kohrs-dancarina-de.html

sábado, 25 de abril de 2015

Informativo nº 36 com textos e atividades. Segue o link para que possam fazer download deste informativo:

O Encontro com professores de Ensino Religioso do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental que aconteceu no dia 15/04 no auditório da Federação Espírita do Paraná teve como tema central o RESPEITO À DIVERSIDADE RELIGIOSA X (IN)TOLERÂNCIA, apresentou o Informativo nº 36 com textos e atividades.
Segue o link para que possam fazer download deste informativo:

O Candomblé na música Brasileira

O Candomblé na música Brasileira

Publicado há 4 horas - em 25 de abril de 2015 » Atualizado às 16:31 
Categoria » Patrimônio Cultural
A-música-no-Candomblé-pode-ser-apreciada-como-um-meio-para-se-relacionar-com-as-divindades.-Foto-Reprodução-
O Candomblé, a macumba e o estereótipo
por Roberto Rutigliano Do Afreaka
É normal no Brasil, por desinformação ou difusão de informações estereotipadas, muita gente associar o Candomblé com bruxaria ou com oportunistas que prometem milagres em troca de dinheiro. Ou ainda confundirem a cultura negra com superstição ou ideias maléficas. No entanto, esta religião conectada ao universo africano é fruto de uma forte ancestralidade que a qualifica como um conjunto de ideias, mitos, música, dança, roupas e oferendas que existem desde os primórdios da humanidade, merecendo reconhecimento e respeito por sua história e tradição.
Na realidade, o Candomblé se trata de uma serie de cultos e rituais provenientes de diferentes regiões da África que se reuniram na América (Haiti, Cuba, EUA, Brasil) como algo único, fruto do isolamento provocado pela processo de escravidão. As influências do Candomblé no Brasil, no entanto, vão além do domínio religioso e social, atingindo uma das mais fortes tradições culturais brasileiras: a música.
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As cerimônias, sempre animadas, prezam por uma minuciosa formação instrumental que é composta por uma série de instrumentos, como o agogô. (Foto – Divulgação)
A música no Candomblé pode ser apreciada como um meio para se relacionar com as divindades. Sendo considerada uma linguagem privilegiada no diálogo dos Orixás, em que o toque pode ser entendido como um chamado ou uma prece. Não se trata de um entretenimento ou expressão estética, mas um fenômeno que vincula o músico (chamado de Ogã) com o mundo transcendente.
As cerimônias, sempre animadas, prezam por uma minuciosa formação instrumental que é composta por uma série de instrumentos: o agogô (de uma boca ou duas) chamado Gã, o Xequerê, chamado de Abê, e três atabaques de diferentes tamanhos. Os músicos no Candomblé recebem o nome de Ogâ, o músico mais experiente, chamado de Ogã Alabê, toca o Run, o tambor maior, que é o tambor solista que comanda todo o grupo musical; e mais dois  Ogãs, que tocam o rumpi e o lê, dois tambores menores.
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Nascido em Buenos Aires e naturalizado brasileiro, Carybé foi um pintor reconhecido por trabalhos voltados para a cultura afro-brasileira, retratando seus ritos e orixás
São utilizados ainda outros instrumentos que, mesmo não fazendo parte da “orquestra”, têm funções específicas, como o caso do Adjá, um sino varia entre uma a sete bocas (campânulas), cuja principal atribuição é provocar o transe quando agitado sobre a cabeça daqueles que recebem o santo.
Ao contrário do que temos na cultura ocidental, onde os sons graves não ficam na frente, no Candomblé os graves assumem o papel de protagonista. As frases tocadas pelo Run (tambor solista) não são improvisos, mas estão em consonância com os movimentos do Orixá que recebem as pessoas. Assim, com seus ritmos característicos, cada Orixá expressa suas particularidades seja na linguagem musical quanto na gestual.
A educação dos novos Ogãs se dá como em outros grupos sociais, como os ciganos, por exemplo. O aprendizado tem início ainda infância e de maneira natural, o que estreita os laços entre o aprendiz e o conhecimento. Nei de Oxóssi e seu pai, seu Erenilton, da Casa de Oxumarê, na Bahia, considerado hoje um dos maiores Ogãs do Brasil, são demonstrações práticas de como a riqueza de uma cultura pode ser transmitida de geração em geração.
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Nos terreiros de candomblé, os três atabaques utilizados são chamados de rum, rumpi e le. (Foto – Wikipedia) 
Nei conta que o pai o ensinou desde criança com grande rigor, sem permissão para erros de toque ou cantiga. A rigidez, no entanto, é essencial na metodologia do aprendizado do Ogã uma vez que o fraseado do solista deve dialogar com o gestual do santo incorporado em uma pessoa, exigindo que o músico conheça detalhadamente todas as “coreografias” e os diálogos que se estabelecem entre música e movimento. A formação assim se transforma não apenas em ensinamentos mas também em uma espécie de biblioteca transmitida de geração em geração de modo oral.
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O Xequerê também é parte importante da cerimônia. (Foto – Wikipédia)
Influência nos ritmos brasileiros
Respeitada nos quatro cantos do mundo, a música brasileira recebeu fortes vibrações, diretas e indiretas, do Candomblé, que influenciou desde grupos musicais contemporâneos até manifestações culturais tradicionais que articulam música e dança. No Recife, por exemplo, a maioria dos que participam dos grupos musicais como os brincantes de Maracatu e Cavalo Marinho, estilos afro-brasileiros, praticam o Candomblé. O mesmo acontece com membros de grupos de Jongo, Folia de Rei, Bumba Meu Boi, ritmos africanos que não se relacionam diretamente com o Candomblé, mas pela presença destas pessoas em terreiros, acabam se misturando por meio de fraseados e interpretações.
Também temos a herança direta na nossa música, que pode ser percebida em frases geradas pelo agogô no ritmo Cabula, antecedentes diretos do tamborim, presente no Samba de Roda da Bahia e do Rio de Janeiro. Temos ainda os toques do ritmo Iilú, base da caixa da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Outro ritmo fundamental da música feita no Brasil é o Afoxé, produto 100% nacional, que uniu terreiros de diferentes etnias, como o Ketu, Angola e Jeje, e que foi incorporado à MPB por compositores como Gilberto Gil, Caetano Veloso e João Donato.
Uma das grandes homenagens prestadas ao Candomblé por membros da MPB é o disco Afro-sambas, fruto de parceria entre o violonista Baden Powell e o poeta Vinicuis de Moraes, músico que sempre se apresentou como o “o branco mais preto do Brasil”. O álbum, sucesso de crítica, condensou em canções como Canto de Ossanha e Lamento de Exú, todos os principais elementos do Candomblé. Clara Nunes, Pixinguinha, Dorival Caymmi e Maria Bethânia são outros bambas da música que cantaram os ritmos da religião.
Seja na música ou no culto aos Orixás, o Candomblé se caracteriza pela complexidade, entre os inúmeros ritmos que fazem parte deste universo. Nesse contexto, vale destacar ainda o ritmo Alujá, não incorporado à música popular brasileira, mas que com seu swing provoca todo um movimento interpretativo na dicção das semicolcheias, base de todos os ritmos brasileiros e cubanos, que quando interpretadas com este outro sentimento provocam uma espécie de superposição que permite uma pronúncia muito mais swingada.
A influência do Candomblé ultrapassa as fronteira nacionais. No mundo existem diversos músicos, como Chucho Valdés, que misturam elementos do Candomblé de Cuba com o jazz, consolidando uma espécie de afro-jazz. No Brasil ainda não temos tantos exemplos dessa mistura, contudo não se pode deixar de mencionar a Rumpi Less orquestra, que também se inspira nos ritmos da religião.
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O Candomblé se faz presente também no Jongo. (Foto – Wikipédia)
A riqueza do Candomblé repousa na variedade da suas fontes. Na realidade, é uma junção de culturas vindas de varias partes da Africa, também nas suas manifestações ocorridas na América , nas culturas brasileira, cubana e argentina , por exemplo e na multiplicidade da suas formações intrumentais  que formam um verdadeiro  arsenal tímbrico e musical que nos prova a riqueza deste imenso tesouro.
Para manter viva essa identidade cultural do Brasil é preciso aumentar o incentivo do estudo e valorização da tradição, os equiparando a quaisquer outros movimentos históricos ensinados e dinfundidos nas escolas e universidades brasileiras.



Leia a matéria completa em: O Candomblé na música Brasileira - Geledés 
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Machu Picchu (Documentário Completo)


Documentário "Machu Picchu Decodificada" (2010). Produzido pela NatGeo (canal da National Geographic) para comemorar os 100 anos da fascinante cidade inca pré-colombiana perdida. O documentário aborda questões que vão desde a escolha do lugar, a forma e ferramentas usadas na construção, os possíveis usos dados ao local e a população que habitou Machu Picchu revelando ainda uma teoria para seu abandono e esquecimento por cerca de quatro séculos. Boa sessão.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Hoje é o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais


Hoje é o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais

Como símbolos mundiais de progresso social, os#livros – de aprendizagem e leitura – tornaram-se alvos daqueles que denigrem a cultura e a educação, que rejeitam o diálogo e a tolerância. Nos últimos meses, temos visto ataques contra crianças em escolas e livros serem queimados publicamente. Nesse contexto, o nosso dever é claro – devemos redobrar os esforços para promover o livro, a caneta, o computador, juntamente com todas as formas de leitura e escrita, a fim de combater o analfabetismo e a pobreza, para construir sociedades sustentáveis e fortalecer as bases da paz. #DiadoLivro http://bit.ly/dia_livro_2015

UNESCO na rede

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Dança Sufi: o Ritual Sema da Ordem dos Dervishes


DANÇA SUFI: O RITUAL SEMA DA ORDEM DOS DERVISHES
A ordem dos Dervishes girantes é um ramo da vasta tradição Sufi do Islã, que compartilha dos valores universais do amor e do serviço. O ritual de girar, que é praticado por esta Ordem, simboliza estes valores nos corações e mentes de milhões de pessoas ao redor do mundo.
O significado fundamental de Sema
O Ritual Sema, que é a dança Sufi, começou com a inspiração de Mevlâna Jalâluddîn Rumi (1207-1273) e foi influenciado pelos costumes e cultura Turcos.
A condição fundamental de nossa existência é girante. Não há ser ou objeto que não se mova em giros, pois todas as coisas são compostas de elétrons, prótons e nêutrons, que giram em átomos. Tudo gira, e o ser humano vive por meio do girar destas partículas, pelo girar do sangue no seu corpo, o girar dos estágios de sua vida, pelo seu vir da terra e retornar a ela. Todos estes giros são naturais e inconscientes, mas o ser humano possui a mente e a inteligência que o distinguem de outros seres. Portanto, os Dervishes girantes (ou semazen) intencionalmente e conscientemente participam e compartilham o girar dos outros seres.
Ao contrário da crença popular, o objetivo não é perder a consciência ou cair num estado de êxtase. Ao girar em harmonia com todas as coisas da natureza – com as menores células e com as estrelas no firmamento – os semazen testemunham a existência e a majestade do Criador, pensam Nele, agradecem a Ele, e oram a Ele. Ao fazê-lo, os semazen confirmam as palavras do Corão: “O que há nos céus e o que há na terra glorificam a Allah” (Al-Taghaabun, 64:1).
Uma característica importante deste ritual de sete séculos é que ele reúne os três componentes fundamentais da natureza humana: a mente (pelo conhecimento e pensamento), o coração (através da expressão de sentimentos, poesia e música) e o corpo (ativando a vida, girando). Estes três elementos são integralmente unidos tanto na teoria quanto na prática, como talvez em nenhum outro ritual ou sistema de pensamento.
A cerimônia representa a jornada espiritual do ser humano, uma ascenção por meio da inteligência e amor à Perfeição (Kemal). Girando em direção à verdade, ele cresce através do amor, transcende o ego, encontra a verdade, e chega à Perfeição. Então ele retorna de sua jornada espiritual como aquele que alcançou a maturidade e a completude, capaz de amar e servir a toda criação e a todas as criaturas, sem discriminações de crença, classe ou raça.
No simbolismo do ritual Sema, o chapéu de pelo de camelo (sikke) do semazen representa a tumba do ego; a sua grande saia branca representa a mortalha do ego. Ao remover a sua capa negra, ele é espiritualmente renascido para a verdade. No início do Sema, mantendo seus braços fechados em cruz, o semazen representa o número um, testemunhando a unidade divina. Enquanto gira, seus braços estão abertos: seu braço direito está direcionado ao céu, pronto para receber a beneficência de Deus; sua mão esquerda, sobre a qual os seus olhos estão fixados, está virada para a terra.
O semazen oferece o presente espiritual de Deus àqueles que testemunham o ritual Sema. Girando da direita para a esquerda ao redor do coração, o semazen abraça toda a humanidade com amor. O ser humano foi criado com amor, para que também ame. Mevlâna Jalâluddîn Rumi diz: “Todos os amores são uma ponte para o amor Divino. No entanto, aqueles que não o experimentaram não o sabem!”.