sexta-feira, 3 de abril de 2015

Diálogo inter-religioso: Derrubar muros, construir pontes


Devo muito à formação cristã que recebi desde a adolescência na Igreja Metodista. Muito do que sou e da visão de mundo que construí se deve à leitura da Bíblia à luz da vida, como aprendi. Também à compreensão de que amar a Deus é amar o mundo e tudo o que nele existe. Essa visão se ampliou com o meu engajamento em movimentos ecumênicos, experiência marcante da juventude até o presente. Nele aprendi que ser cristã é ser promotora da paz com justiça, e que nesta pauta estão o respeito, o diálogo e a cooperação entre as religiões.
 
E aí adentrei numa trajetória que tem sido árdua. Somos cercados por mensagens dentro e fora do espaço religioso que estimulam os cristãos a competirem entre si e a condenar aqueles que não o são. Entre estes estão os muçulmanos, representados como ameaça mundial, “terroristas” que desejam o controlar o mundo. Mais do que uma religião, o Islã nos é artificialmente apresentado como uma força política que promoveria guerra e morte para alcançar propósitos de poder. De fato, os projetos de poder existem e estão em todas as religiões. Mas, neste contexto, como ser fiel aos princípios ecumênicos e falar de respeito, de diálogo e de cooperação com o Islã? Para responder, evoco o importante documento do Conselho Mundial de Igrejas “Questões nas relações cristãos-muçulmanos: considerações ecumênicas” (1992).
 
Uma primeira atitude precisa ser garantir a perspectiva da justiça com o outro, o que significa uma revisão do olhar sobre o Islã. Além de ser visto, equivocadamente, como uma religião de natureza violenta, o Islã é tido como um grupo religioso monolítico. Ou seja, em qualquer contexto temos o mesmo e o único Islã. Essa visão ignora a diversidade de teologias, de pensamento filosófico e jurídico e de formas de devoção. Assim como cristãos não são um único grupo, é preciso ter clareza de que muçulmanos também não o são.
 
Mesmo com tanta diversidade, há uma forte convicção que os une: a afirmação que Deus é fonte de toda a vida e de tudo o que existe. Ela leva à compreensão da soberania absoluta de Deus, o que torna impossível honrar como divina qualquer pessoa ou coisa que não seja Deus. Daí o rechaço a toda forma de idolatria e de representação visível do divino. Dela deriva a compreensão de que Deus é justo, o que significa que Ele deseja que o ser humano conheça e pratique a Sua vontade. Por isso, Deus cuida, com misericórdia, e envia vários mensageiros para que todos conheçam Sua vontade. Daí o Islã ensinar que, desde o início da história, Deus tem revelado sua vontade à humanidade. Assim se institui o termo “muçulmano”: aquele que se rende, aceita e leva consigo a vontade de Deus. Isso é mais que entender “muçulmano” como o membro da comunidade islâmica.
 
E há algo muito importante nesse diálogo entre as religiões: a paz está no coração do Islamismo assim como está na espiritualidade cristã e na redação dos textos bíblicos. No Islã “as-salâm” (Paz) é um dos nomes dados a Deus. Muçulmanos, quando se encontram, cumprimentam-se com “as-salâm alaikum” (Paz seja contigo). Como o “shalom” no cristianismo. Aí está uma contribuição importante para o diálogo e a cooperação entre esses grupos religiosos: a paz que dá sentido à sua fé se torna fonte de ações de justiça. Leia-se: relações sociais e raciais igualitárias, defesa dos direitos humanos, promoção e garantia da liberdade de crença, solução de conflitos sociopolíticos e econômicos de forma pacífica.
 
Aqui estão expostos alguns dos meus sonhos e esperanças em meio às tantas manifestações de extrema intolerância da parte de crentes e não crentes expressas nas últimas semanas. Que eles se somem aos tantos outros que buscam, neste tempo, derrubar muros e construir pontes.
 
Por: Magali Cunha
Publicado originalmente em O Globo

domingo, 29 de março de 2015

Não existem culturas superiores e inferiores, só formas de ver o mundo, experimentar, sentir e viver!! Quando aprendamos isso compreendamos uns aos outros que somos parte da natureza e que somos verdadeiramente irmãos!!






Livro espírita da Turma da Mônica vende 10 mil cópias em semana de lançamento TERESA PEROSA

Lançado há uma semana, o livro “Meu Pequeno Evangelho”, que traz a Turma da Mônica em histórias de cunho espírita, já vendeu mais de 10 mil cópias. Publicado pela Editora Boa Nova, a obra é ilustrada por Mauricio de Sousa e escrita pelo designer peruano Luis Hu Rivas e pelo baiano Alã Mitchell.
Ilustração do livro "Meu pequeno evangelho", de Maurício de Sousa, Luis Hu Rivas e Alã Mitchell (Foto: Reprodução)

Livro da Turma da Mônica traz versão espírita do Evangelho

http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/felipe-patury/

O cartunista Mauricio de Sousa já contou histórias de sua Turma da Mônica nas mais variadas situações – inclusive religiosas. O que nunca tinha feito é um livro que juntasse Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Anjinho e Penadinho em histórias de cunho espírita. Esse é o tema de Meu pequeno evangelho, livro que ele lançará em São Paulo no próximo dia 13 de dezembro. O livro é ilustrado por Mauricio de Sousa e escrito pelo designer peruano Luis Hu Rivas, um entusiasta do espiritismo, e pelo baiano Alã Mitchell, convertido aos 15 anos.

A Cor do Paraíso - Filme Completo

sexta-feira, 27 de março de 2015

Ser Hare Krishna?

Templo Hare Krishna serve 200 refeições por dia de graça



De segunda a sexta-feira, as janelas da sede são abertas ao meio-dia e às 20h para saciar a fome de qualquer um que estenda os braços para receber a refeição vegetariana. “Não usamos ingredientes obtidos de forma violenta, pois todo animal morto libera adrenalina e isso vai para o organismo de quem come o animal”, justifica Hara Kanta.
No almoço, o prato é à base de arroz, feijão, salada e pão. No jantar, são servidos pão e sopa com proteína texturizada de soja (PTS). E a maioria repete o prato. “Antes de servir, abençoamos todos os alimentos, e acreditamos que quem come fica mais tranquilo”, afirma.
Recursos
Diariamente são consumidos aproximadamente nove quilos de arroz e cinco quilos de feijão, além de óleo, gás, temperos, verduras e frutas, que eles não registram na ponta do lápis. O mais surpreendente é que o movimento tem como principal fonte de recursos tanto para a distribuição gratuita de alimentos, quanto para a manutenção da sede (aluguel, etc) os valores obtidos com os livros que eles entregam pela cidade.
O Bramacari (monge) Phalguna acrescenta que o segredo deles está em “usar de forma inteligente os recursos materiais”. “Quanto mais você compartilha e administra as graças divinas, mais recursos você recebe para repassar. A maioria das pessoas tende a se preocupar apenas com os sustento de si mesmo ou dos mais próximos e isso não faz aumentar a riqueza”, afirma.
Com exceção das doações que eles conseguem aos sábados, quando vão à Central de Abastecimento (Ceasa) de Curitiba garimpar frutas e verduras, não há nenhum recurso ou doação por parte de alguma instituição ou órgão municipal, estadual ou federal. “A Ceasa ajuda muito, mas os grãos e cereais, que respondem por 70% do que é consumido, é custeado com os livros”.
Voluntários
Todo apoio e doações são bem vindos, inclusive de trabalho voluntário para a própria cozinha e não precisa se transformar em um devoto. “Somos todos irmãos e filho de um pai, por isso toda forma de contribuição é válida”, explica Phalguna. Vale lembrar que eles não consomem nem carnes e peixes, nem ovos e isso inclui alimentos como massa de macarrão com ovos.


























Quem vai à janela do templo aprova a refeição. “É a segunda vez que estamos aqui, além de

economizar, ainda comemos bem”, explicou o casal Tiago Luís Bueno e Emeli Moroni da Rocha. O estudante Alex Neves conta que já pensa em contribuir com o templo. “Como pretendo vir sempre aqui, porque é uma forma saudável de se alimentar sem gastar, vou ajudar”.
Endereço
Quem quiser contribuir também pode entrar em contato com o templo pelo telefone (41) 3015-5106 ou email: iskconcuritibahkdb@gmail .com. O endereço da sede é: Rua Duque de Caxias, 76, bairro São Francisco.
Aqueles que se interessam pelo movimento também podem participar dos chamados festivais que eles realizam às 19h de segunda a sexta, onde são feitos estudos e mantras, ou aos domingos, às 17h.
Veja a galeria de fotos do Templo Hare Krishna e assista abaixo o vídeo:

http://cacadores.parana-online.com.br/sao-francisco/fome-de-paz/